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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Estava frio.
A chuva insistia em atravessar aquela telha, e vez ou outra, chover em você.
Estava ventando e de alguma forma, isso virou motivo de risada. Como sempre é quando vocês estão juntos.
Alguns elogiavam os músicos que tocavam no restaurante, outros riam da piada que sua prima mais velha contou. E nesse meio tempo, seu 'meio-primo' desapareceu.
Alguns ainda insistiam em falar de novo e de novo "Parabéns Vó!" e nos intervalos sua avó devolvia aquele riso solto e dizia alguma coisa que fazia todos na mesa rirem.
Mais tarde, quando seu 'meio-primo' voltou, fez questão de fazer graça da sujeira que sua prima havia feita para almoçar, e ela devolvia com o sarcástico 'O que eu não faria sem você, Lui'.
De repente, aquele canção conhecida começou a tocar e os músicos disseram que havia sido um pedido de uma família ao fundo. Seu primo tinha um sorriso de disfarce no rosto, e mais tarde disse que os filhos daquela avó, haviam pedido para que ele pedisse pela canção. Verdade ou não, só o que ouviamos naquele momento era aquele música que seu Avô amava e que parecia falar sua avó.
Quando chegou no refrão, a família se juntou e começou a cantar olhando para aquela espanhola risonha, que tinha um sorriso indecifrável no rosto. Talvez de que acabou valendo a pena, talvez de emoção. Talvez de ambos.
O momento em que acabou, seu priminho disse "Vocês não ligam de passar vergonha?"
A resposta foi uma risada que parecia murmurar 'Não por quem vale a pena.'

"Te amo, espanhola
Te amo espanhola, para que chorar?
Te amo."

'Não esqueça esse momento, não esqueça esse momento.'

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Memories I don't want to Forget.

- Vem filha, vem dançar com o Papai. Sua música está tocando.
Foi aquele sorriso que te fez subir no sofá, abraçar seu pai, colocar seus pés em cima dos dele, segurar suas mãos nas dele, e rodar por toda a casa com ele, quando tinha 5 anos e depois 6, ano após ano.
De longe, você ouvia 'Carolina' de Chicho Buarque inundar a casa, num som responsável pelo seu nome, e pelos ideais que seus pais sempre carregaram.
Hoje, você assiste o vídeo de quando você só tinha alguns meses de vida, e seu pai ja te carregava por toda a casa, enquanto o vinil tocava aquela mesma música.
As danças ainda existem, mais dessa vez, é pé no chão, do jeito que deve ser. Talvez com alguns passos errados, mas ainda seguindo o mesmo ritmo de 16 anos atrás.
E quando a música começa a tocar, é silêncio com risada, sorriso com abraço. Talvez por isso essa tradição não aconteça o tempo todo. Para continuar sendo alguma coisa, e significando alguma coisa.
Para não se tornar comum como o resto.
Como Carobitina e Gioconda e o mundo mágico que seu pai inventou só para suas 2 filhas.
Quando me perguntarem quem é Carolina, eu não vou responder que Carol são os problemas pelos quais ela passou e que a fizeram entender coisas que não entenderia sem.
Eu vou dizer que Carolina são as memórias que ela viveu.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Das fotos que eu não tirei.

Faz parte de quem eu sou. Eu não posso colocar isso em outras palavras, simplesmente porque faz parte de quem eu sou, por mais que seja sentimental demais, ou adolescente demais.É um momento meu, sozinho e ao mesmo tempo lotado. É difícil explicar, e talvez se o tentasse, pareceria também meio bobo.
Existem momentos. Existem dias. Até mesmo minutos. Memórias mal formadas, e lembranças recém começadas. São momentos que acontecem e que te fazem, na verdade me fazem, parar, olhar em volta e repetir comigo mesma “Não esqueça esse momento, não esqueça esse momento.” Como se fizesse parte das fotos que eu não tirei, e estivesse naquele álbum que eu levo comigo por onde quer que eu vá,tiradas pelos meus olhos e nada mais.
Eu tenho isso. Talvez porque memórias são importantes para mim, ou porque quando o mundo parece estar caindo diante de meus olhos são essas lembranças que me fazem continuar olhando para frente. Por mais simples que sejam, ou por mais rápidas que aconteçam. Sejam elas recentes ou não.
Foi uma paisagem incrível de inverno. As árvores deixavam cair as folhas mais bem desenhadas que meus pés varriam enquanto eu me balançava e meus primos tentavam se equilibrar no tronco de árvore caído ali do lado. Os adultos relembravam aquele pai com um sorriso bobo, de criança no rosto enquanto nos assistiam. Depois resolveram dar uma chance ao balanço.
Era final da tarde quando resolvemos descer até o lago e assistir o pôr-do-sol. E enquanto nós tentávamos fazer com que as pedrinhas quicassem na água pelo menos mais de três vezes, o sol refletia aquele lugar todo, as pessoas se sentavam contando aquela piada mais estranha, e aquele tio dizia como era incrível o fato do sol nascer e se pôr todo dia, e que naquele dia ele havia nascido só para nós e agora podíamos dizer um ‘até amanhã’. Que era incrível ele estar lá todos os dias, independente do que estivesse acontecendo.
Mais uma memória. Das fotos que eu não tirei, essa me deixou repetindo.
"Não esqueça esse momento, não esqueça esse momento."