quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Acordei, lembrei da noite anterior e me doí em desanimo do que tinha sido.

Olhei para fora e meu cachorro estava brincando na grama como sempre. Pulou na piscina. Pulou em mim. 
Vi a mesa de café e a jarra continuou a mesma.
Meu pai passou assoviando um samba como de costume.

Me toquei de que eu e ele tínhamos realmente acabado e que ele não sentia nada. Talvez nunca tenha sentido. O olho pediu trégua.

Mas eu sai para o trabalho e as árvores continuaram balançando igual sempre balançaram pelo trajeto. A mesma quantidade de ontem.
Cheguei na empresa e as cores das paredes continuavam as mesmas de ontem. Minha mesa estava com o bloquinho ali do lado, como eu havia deixado.

Lembrei dele com ela e lembrei dele comigo no antes e senti uma daquelas dores de querer sentar e ficar quieta. Pensei em quanto tempo eu ia me permitir chorar e deixar aquilo se repetir.

Fui almoçar e o suco de laranja continuou com o mesmo gosto que estava na segunda. Meu primo apareceu e continuou me fazendo rir como costuma ser. 
Voltei pra casa e o caminho continuou com os mesmos buracos. Eu conversei com aqueles amigos. Eles fizeram as mesmas graças que fazem há 10 anos.
Meu cachorro me recepcionou em casa com o mesmo pulo de alegria de ontem.
A casa continuou com o mesmo cheiro de quando minha mãe faz comida.
Joguei conversa fora com minha irmã na cozinha sentada do lado do nosso cachorro.

E eu lembrei.
Acabou.
Acabou acabou acabou acabou. Ou nunca começou.

Assisti aquele programa que sempre me faz rir. Me fez rir.

E no conforto do mundo continuar o mesmo, lembrei que a vida segue.
E eu também vou.

terça-feira, 23 de junho de 2015

As vezes, eu acordo com o meu celular tocando e a voz dela entra em mim como um arrepio que me congela e eu ouço as palavras se repetirem uma à uma, como naquela quinta-feira à tarde. O coração aperta e a garganta fecha e um peso que não se explica, entra em mim e eu tenho vontade de gemer em agonia.
Então eu viro para o lado e vejo que meu celular não está ali e eu sonhei. Alucinei. Lembrei. Vai saber.

Não durmo mais.

Vez ou outra, alguém me diz que o pior já passou e agora é seguir com a vida. E eu sinto raiva. Sinto uma raiva que eu desconhecia e queria poder desconhecer de novo. 
E eu me lembro da parede branca. Eu me lembro de sair com os sapatos na mão e pela porta dos fundos no meio da madrugada. De ligar o carro e sair com a lanterna apagada com medo de ser pega. Me lembro do ataque de ansiedade disfarçado em frio.
E eu me pergunto, dentro de mim, como você segue normalmente do jeito que te falam para seguir, quando tudo em você é ainda tão fresco. Tão solto.

Tem dias em que tudo segue normal de novo. Semanas. E você sente alívio. Pensa que, finalmente, acabou.
E, numa festa junina, um bebê a confunde e a chama de mamãe e vocês congelam. Ela segura o choro e você lembra do ultrasom e, por um minuto, é como se tivessem puxado sua pele e trocado ela de lado.

Não existe arrependimento.
Não existe dúvida.
Não existe vontade de voltar atrás.

Existe o resto.
Existe todo o resto.
E ele vai e vem. Sem marca de tempo. Sem cronograma.
Está ali até não estar mais.

Vez ou outra, você se pergunta se esse resto vai te seguir até você aceitar que ele é parte sua agora.

Não sabe.

Enquanto isso, se remenda. Acomoda a dor. Deixa ela ali. Espera.

Quem sabe, um dia desses, você volta a dormir sem lembrar de cada um daqueles dias em detalhe. Quem sabe também, o telefone toca e, um dia desses, sua mão não gela e você não sente nenhum pânico tomar conta. Quem sabe, um dia desses, você deixa todas as mentiras em um canto esquecido. Quem sabe, um dia desses, você não precise mais continuar mentindo.
Quem sabe, um dia desses, você esquece o sofá preto e aqueles 40 minutos.
Quem sabe, um dia desses, você para de sonhar com aquele teste e com ela doente porque não deu certo.
Quem sabe, um dia desses, esse buraco sai e não te alcança mais.

Quem sabe.






quarta-feira, 6 de maio de 2015

 
   Desaprendi a respirar por alguns segundos quando soube de você. O choro mais desesperado e ensurdecedor veio num tom baixo que me assombra o tempo todo, criança. E eu sinto enjoo. Falta ar. Sobra água.
  Quando eu era mais nova e perdi um colega, acreditei não existir silêncio mais alto do que daquele protesto em memória dele. Ou arrepio igual. Vi o mundo acabar um pouco.
  Mas aí recebi aquele telefonema e a perspectiva veio como um chute na cara. Tudo perdeu um pouco de vida.
Cada análise era um teste - não deixar o corpo dominar e o pânico tomar conta. Era difícil controlar, criança. Mas não existia espaço pra nada.
  Quando eu soube de você, criança, eu só pensei em como resolver logo tudo. Dar um jeito. Te vi como um pesadelo surreal, criança. Desculpe.
 Arranjei tudo. Deixei tudo certo. Ignorei o pontinho do ultra som. Tentei não conseguir te ver. Não existia tempo de achar nada, pensar em nada. Era certeiro.
Durante todos os dias desde que soube de você, a única forma de dormir, era com a tv ligada. Som alto. Alto o suficiente pra cobrir meus pensamentos. Pra cobrir o que tinha de você ali.
Você veio carregando e despejando medo. E saindo as escondidas no meio da madrugada, descobri que o corpo, as vezes, treme incansável e involuntariamente. Disse que era frio. Era pânico.
"E se, e se, e se" me seguiram até a hora em que sentei no sofá e esperei. E todos os "e se" viraram uma possibilidade.
  Olha só, criança, descobri um novo fim de mundo numa parede branca com um quadro da santa ceia, cada vez que ouvia apitos ininterruptos e meu coração gelava em pânico.
 E se, e se, e se.
 10 minutos.
 Parede branca.
 20 minutos.
 Ouvido colado na porta da sala.
 30 minutos.
 Será que tem alguém acordado pra falar de qualquer coisa.
 40 minutos e todas as promessas possíveis.
 E fim.
 Alívio.
 Mas eu só queria te dizer, que dentro do alívio, veio dor.
 E dentro do que ficou, do pânico, alívio e todo o resto, a dor vai ficar, ta criança?
 E a gente vai lembrar.
 Vai sempre lembrar.
 Desculpa, criança. É que não era hora.
 Desculpa.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

     Ele chegou e logo te viu. Mas você já o tinha visto assim que ele cruzou a porta e deu aquele sorriso habitual. Sempre tinha sido assim com vocês. Ele aparecia e você acompanhava.
     Não precisou dizer nada. Só andou até você e te puxou para a pista de dança naquele buffet tão brega e cheio de luzes. Pensou na piada pronta que sairia da sua boca assim que entrasse no salão, se tivesse entrado com ele. Da resposta sarcástica e cheia de um humor que só você entenderia. Na risada disfarçada que teria que dar para ninguém perceber.
     Dessa vez só houve silêncio.
     Um, direita, dois, esquerda, vira, volta, dois esquerda. Te virou e te puxou para ele de novo e seu olhos descansaram nos dele e ergueu as sobrancelhas, naquele seu velho hábito. Ele encostou a mão nas suas costas um pouco mais forte, daquele jeito que ele sempre fazia quando te provocava. Daquele jeito tão comum. Não havia o sorriso malandro dessa vez. Você arrumou sua mão nas costas dele daquele jeito que sempre fazia ele rir porque sentia cócegas.
     Um, dois, direita, um, dois, esquerda, ele te puxou para mais perto e encostou o queixo no seu cabelo, naquela forma tão íntima suas. Você sentiu o perfume que havia dado para ele no último natal. Fechou os olhos. Sua mão segurou a dele mais forte. O dedo dele mexia nas costas da sua mão, naquele velho hábito, enquanto você cutucava a unha torta dele. Seus olhos voltaram para os dele e a música seguiu naquele ritmo velho e conhecido.
     A história de vocês se lia em movimento. Cada canto seu era um hábito velho dele e cada parte dele era um costume seu.
     Foi.
     Se segurou para não puxar aquele cabelo dele que sempre arrepiava. Ele segurou o impulso de inclinar para beijar sua testa.
     A música terminou e o que ficou no espaço foi a sobra de vocês.
     Você deu um passo para trás. Olhou para ele.
     Ele ainda tinha aquela cicatriz daquela trilha que vocês fizeram. Alguém novo ia perguntar para ele sobre ela algum dia. Ele ia lembrar de você. Quem sabe não te mencionaria na história. Talvez não. Vai saber.
     Ele te olhou. Deu aquele sorriso fechado e torto que ele sempre dava depois de uma briga. Você coçou o pescoço daquele jeito que sempre fazia quando não tinha certeza do que ia seguir. Juntou as mãos e passou os olhos por todo o rosto dele.
     A intimidade de vocês só se mantia em movimento. Não existia mais nada. Não existia mais palavra.
     Deu aquele seu sorriso curto. Memorizou. Mais um passo para trás e seguiu para a porta. Virou e viu que ele seguia o caminho contrário.
     Seguiu para o seu canto. Ele seguiu para o dele.
     A música tinha acabado.


domingo, 31 de agosto de 2014

       Acho que talvez não exista sensação pior do que não saber o que aconteceu com você. Sabe? De chegar um dia e ficar tentando entender o que é essa pessoa que você é agora, que não é você. Falta sentido. Faz todo o sentido.
    Quando chega um momento e você acha que é melhor não fazer aquela piada. Ou aquele comentário. Que é melhor sentar mais no canto e ficar na sua. Que não vai haver relevância no seu comentário. Na sua companhia.
       Quando você se encontra num bolo de gente conhecida e não tem a menor ideia se existe realmente alguma diferença você estar ali. Se é só costume. Seu. Deles. 
       Foi só quando eu tentei entender o que é que tava acontecendo comigo, que eu parei pra entender o quanto a gente se desfaz da gente pelos outros.
      Fala mais baixo para não incomodar, ri mais baixo para não parecer escandaloso, não faz uma piada para ter certeza que não vai ofender, muda o jeito de arrumar uma coisa, aceita ouvir o que não precisa.
     Você faz pequenas trocas, no seu dia a dia, por serem mínimas; simples; por uma boa convivência. E elas se tornam rotina até que se tornam você. 
      E, quando você se toca, parece não haver eixo. Pouco natural. Quase tudo forçado. 

      Eu não tenho muita experiência de vida e eu sei ser uma pessoa pedante pras coisas, mas acho que o que eu descobri ao buscar alguma mudança, não deve ser diferente do que uma pessoa de 40 ou 50 anos deve sentir também - que não existe nada mais desconfortável do que se reentender. Não existe acalento nenhum no processo. Só angústia.
    Você se coloca em situações que odeia o tempo todo, pra ver se realmente odeia aquilo. Você resolve manter posição daquilo que acha e arranja briga, é taxado de chato; egoísta. Você tira o pé de algumas coisas que assumia e aceita que isso pode causar desconforto e atrito em algumas relações que você tem. Você trabalha em falar o que pensa e o que quer, com a enorme possibilidade de estarem te julgando ou de gostarem ou de simplesmente não se importarem. Você se questiona o tempo todo sobre o que realmente quer - e essa talvez deva ser a maior crise de todo esse processo. Você trabalha constantemente com não se importar com o que os outros acham que é a maneira que você deveria agir ou ser, até o ponto em que realmente para de se importar. Você trabalha com incomodar e aceitar que nem todo mundo vai gostar do que você faz ou é. O processo é horrível porque você expõe muita mais de você e tem que aceitar a vulnerabilidade daquilo. Vira sua pele do avesso, como eu já ouvi uma vez.
     Eu passei uma parte do ano perdida e me revirando de todos os lados e avessos, de um jeito que parecia eterno, quase torturante. Mas aí você se acha. 
      E no maior clichê desse texto já tão óbvio, uma coisa se aquieta. Sobra você.
      E, de um jeito estranho, isso é suficiente. 


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Dos planos falhos.

     Seis anos atrás, eu voltava de um aniversário quando soube que Ana ia se separar do homem com quem estava há oito anos.
     Ana, veja bem, sempre teve planos. Ela acreditava ter tudo decidido; compreendido. Namorava a mesma pessoa desde os 16 anos, saiu da faculdade já com uma carreira estabilizada e noiva. Ana sempre quis ser bom exemplo. Sempre foi determinada, cheia de vontades. Cheia de planos traçados só a espera de serem realizados.
     Com 24 anos, os planos de Ana se rasgaram bem em frente à ela sem nem existir tempo de arrancar qualquer linha de silêncio e suspirar dor.
     Cheia de planos quebrados, Ana foi embora pensando em não voltar. Saiu em busca de si mesma numa viagem, com um mundo virado de cabeça para baixo e correndo contra tudo que ela achou que estaria vivendo e nunca viveu.
     Fazia cinco meses em que Ana viajava quando a encontrei e passamos uma tarde conversando, regadas a crepe parisiense e lágrimas. Ela me contou sobre seus planos perdidos, sobre o fim indesejado. Me contou sobre a dor contínua em chegar em casa e ouvir que havia outra, depois de oito anos. Sobre tentar tanto buscar um conserto que não podia mais ser remendado. Tinha um sorriso fraco e olhos vermelhos misturados em palavras salgadas, como o de alguém tentando lhe afirmar que ficaria tudo bem, sem a crença própria de tal possibilidade.
     Quando fui embora aquele dia, lembrei de uma Ana antiga, cheia de vontades, apaixonada por todas as oportunidades que pareciam existir naquele momento. Senti o calafrio de planos falhos e o arrepio de um possível adeus definitivo.
     Os anos se encarregaram de acontecer, Ana voltou e se fez nova e velha. Permitiu que aquele jeito tão seu voltasse a aparecer em seus olhos e piadas. Ana até se apaixonou de novo e se casou. Recomeçou.
     Um ano atrás, sentada numa mesa de jantar, o pai de Ana me contou sobre ela e como tudo, mais uma vez, se fez em caos. No mês seguinte, quando encontrei ela - agora mãe solteira - os olhos se debulharam em lágrimas e história. Conversamos sobre decisões, sobre decepções, sobre certas coisas estarem fora de nosso alcance. Sobre estar envolvida com alguém dependente. Sobre ter um filho com ele. Sobre só descobrir tarde demais. Afirmei que ela havia feito o melhor para ela e para o filho; que havia feito tudo o que podia; que não existia decepção em uma relação parar de dar certo.
     Um mês depois, quando seu marido resolveu se ajeitar, ela voltou a morar com ele.
     Duas semanas atrás, conversando com os seus pais, senti um nó se formar na garganta de cada pessoa presente naquela sala de estar, enquanto eles nos contavam sobre como Ana desistiu de si mesma.
Ana, veja bem, era a pessoa mais alegre o qual tive o prazer de conviver e crescer com. Ana sempre teve um daqueles jeitos difíceis de explicar - daqueles que você gostaria de ter igual. Me fazia rir como pouca gente era capaz. Tinha uma vida dentro dela, daquelas de pensarmos em como o mundo seria mais puro se tivessemos um pedaço daquilo dentro de nós.
     Mas Ana também sempre amou demais. Sempre esperou demais.
     Ana não aceitava mais uma falha, mais um erro, mais um momento completamente errado. Agora segue tentando remendar algo estilhaçado e com pedaços perdidos - que não possui mais encaixe. Os anos passam e Ana vive uma vida que não é dela, enquanto a vida dela caminha esquecida num canto. Cortou a maioria daquilo que lhe fazia bem, não aceita conversas à respeito. Não existe mais. O que ela era lhe foi sugado e hoje, o que se vê, é opaco. Não é Ana.
     Seis anos atrás, quando tudo deu errado, eu me encontrei em volta de um plano falho que deixou todos aqueles que a conheciam se perguntando o que seria dela. Hoje, a vontade que existiu naquele momento, não existe mais, assim como aquela Ana.
     Seis anos atrás, eu compreendi que planos podem ser causadores de estragos irremediáveis. Entendi um pouco mais da dor daquilo que falha dentro da gente. Daquilo que coloca algo vago em uma pessoa de um jeito difícil de se preencher.
    Mas hoje, eu descobri aquela dor nova, que é simples; que é conjunta, que consegue também ser velha.
    Aquela dor de ver alguém que você ama se afundando, sem se mexer, se espremendo até não existir nada, até não existir mais espaço. Enquanto tudo o que você pode fazer, é assistir.
    Assistir e esperar.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Inferno astral

          Eu nunca acreditei em inferno astral. Sempre achei essa coisa de "tô no meu inferno astral" uma grande desculpa para ficar irritado com o mundo e agindo como bem entender à respeito. Nunca fez sentido, nunca tive, ninguém ao meu redor nunca teve - até eu entrar na faculdade - e sempre me pareceu mais uma forma de canalizar algo ruim que está se fazendo presente na sua vida e permitir que ele se mantivesse ali até o seu aniversário do que qualquer outra coisa. Pelo menos foi sempre assim que eu enxerguei.
       Mas em duas semanas eu faço 21 anos e vi esse tal de 'inferno astral' em uma perspectiva completamente diferente da qual eu costumo olhar. E se esse tal de conceito vêm do fato de que, faltando um mês para o seu aniversário, você tende a analisar sua vida - o antes, o agora e o que está por vir (pelo menos teoricamente) dela - e vê que está tudo uma grande, enorme bagunça? 
          Eu imaginava minha vida diferente com 21 anos. Não de uma forma dramática, não pra dizer "tá tudo errado/tá tudo uma bosta". As coisas não estão uma bosta, não está tudo errado, mas eu imaginava minha vida diferente. Eu achava que teria alcançado alguns objetivos, teria vivido certas coisas, teria me movido mais do que quando tinha 16 anos, por exemplo. Não que muito não tenha mudado, mas eu imaginava diferente. Eu me via mais certa de quem eu sou, de como me defino, do que eu anseio, do que eu desejo criar. Eu achava que teria meus desejos mais definidos dentro de mim. Teria um foco. Eu achava que já teria amado alguém. Que não teria picos de "o que é que eu tô fazendo/o que eu pretendo fazer/o que eu já deveria ter feito e ainda não fiz". Nesse inferno astral eu vi o quão difícil é admitir todas nossas incertezas e, mais do que frustrante, o quanto isso é angustiante.
          Eu nunca fiz planos, nunca quis fazer. Vivi o suficiente para ver o que a falha de um plano é capaz de causar na vida de uma pessoa. Mas a falta de planos no hoje e amanhã me assusta. E a falha de tudo aquilo que acreditava que aconteceria naturalmente também.
          Há um mês do seu aniversário você pensa em tudo aquilo que achou que já teria vivido e não viveu. Você encontra toda a desordem que existe em você. Enxerga tudo o que precisa fazer acontecer, mesmo sem a certeza do que esse 'tudo' é. Sente toda a falta de movimento daquilo que você quer fazer se mexer de uma vez. Daquilo que não se apresentou ainda. 
         Esse inferno astral é toda a incerteza. É tudo aquilo que não acontece. Tudo aquilo que não aconteceu. E ele não convive com você todos os 30 dias antes do seu aniversário. Ele, em uma inconstância, aparece ocasionalmente. 
             E te enrola num nó como mais nada consegue. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Do desapego.

       A primeira vez em que eu me apaixonei, eu acreditei que não houvesse forma mais complicada de deixar uma pessoa ir embora. Que deixar de sentir algo como aquilo fosse a maior forma de desapego que se poderia esperar de alguém. Quando nós somos bem novos, as coisas parecem ter uma proporção muito maior do que na verdade possuem. O amor, seja qual for sua forma e tamanho, naquele momento, parece maior do que tudo. E dentro daquele sentimento que em você é tão novo, tão perdido, tão recente, esquecer alguém parece tão difícil que não sobra espaço para você pensar até que ponto o desapego se faz presente em cada aspecto da sua vida. Não existe essa possibilidade até, de repente, ela lhe chutar a cara. É quando o tempo acontece.
       Quando eu era nova, eu sempre vi a maioria daquilo que estava no meu dia-a-dia, como permanente. Eu olhava para meus primos e acreditava que não poderia existir relação mais duradoura. Via minha família como um laço imperfeito, mas real; quase como inquebrável. E, depois de um tempo errando muito, olhava minhas amizades como certas e cheias de futuro; cheias de memórias a serem feitas e lembradas. 
       O que eu demorei a entender é que o desapego vêm em formas. O desapego, diferente do que eu conhecia, vêm de todos os cantos. O desapego vêm daquela ideia que você levou consigo durante tanto tempo até perceber que nunca vai ser. Vêm de um desejo antigo que passa por você e acontece de outro jeito. Ou simplesmente não acontece. O desapego vêm de um adeus esperado. Ele vêm daquilo que você acreditava que um dia seria e nunca foi. Ele vêm daquilo que se quebra nos seus dias e que, por tanto tempo, você acreditou ser mais certo do que qualquer coisa. Ele vêm com as inúmeras mudanças que, em um ponto, parecem se tornar uma rotina. 
       O desapego é aceitamento. Ele vêm com o entender de que se desapegar não determina uma falha sua. Ele vêm com a compreensão de que tudo ao redor da nossa vida é cheio de fios que podem arrebentar de uma vez, ou aos poucos, de uma hora para outra. Ele vêm quando você aceita que é necessário desistir de algumas pessoas e permitir que elas desistam de você. Entender o desapego é saber que, as vezes, ele precisa acontecer. É aceitar a dor que vêm com ele e com o fim que ele carrega. 
       O desapego se faz em torno de fins e cortes. É triste. Cheio de dores que você só conhece quando ele se faz presente. Mistura-se nas decepções e nas possibilidades.
       O desapego, entretanto, é paz. E quando você se familiariza com suas formas e a maneira como ele é inevitável, há um encontro com uma paz dentro de você que torna tudo aceitável; justificável.
       E você segue. Cheio de dores. Cheio de desapegos indesejáveis.
       Mas em paz.

sábado, 25 de janeiro de 2014

30/12/2013

Y,

          Desde 2009 - ou 2008, eu não lembro - quando o ano vai se engolindo cada vez mais e acabando, eu costumo escrever. No final do ano passado, quando chegou o momento de falar sobre o que tinha sido 2012, eu me lembro de pensar "preciso escrever sobre esse ano que foi absursamente bom". Não escrevi.
           A verdade é que eu acho que quando algo está bom demais você não tem tempo de escrever a respeito. Ou tem medo de azarar um amontoado tão bom de memórias. Ou simplesmente não sabe como colocar em palavras esse amontoado já que, sejamos sinceros, a tristeza é muito mais fácil de ser escrita e poetizada.
         O que eu percebi ao tentar falar sobre 2013, ao pensar em como falar sobre esse ano e o que ele tinha significado, é a simples explicação de que 2013 foi.
          Nesse formato sem sentido, sem conjugação, eu entendo esse ano exatamente assim - sem muito sentido. Não foi um ano ruim. Mas não foi um ano bom. Foi um ano mixado em tragédias, risadas e uma certa solidão que eu, enfim, aceitei estar em mim. 
            2013 me parece um ano vivido como um passo para o ano que realmente iria estar valendo, se isso faz qualquer sentido. Me parece um meio termo. Aquele trecho, entre o começo, meio e fim em que você se conserta para seguir mais inteira. 
         Eu não sabia, ao começar esse ano, o quão perdida eu estava. E nos meses que se seguiram, fui descobrindo sempre mais uma dúvida, mais um medo, mais uma incerteza. Fui me desentendendo cada vez mais para poder, enfim, me entender. Nas minhas milhares de dúvidas, criei mais algumas e encontrei respostas pra algumas outras. 
            O final de um ano sempre me intrigou, pelo simples fato de você tirar uma energia desconhecida de dentro de você para um novo ano. A ideia de recomeço sempre me trouxe uma certa paz quando o caos parecia fazer parte do meu corpo. A ideia de fazer diferente, a vontade, o famoso "chega disso, é hora de mudar".
                  2013 acaba e eu não sei mesmo o que esperar desse novo ano. Mas eu agradeço por esse ano maluco em que, tanta confusão, fez com que eu saisse dele me entendendo um pouco mais mesmo que, no meio de tudo isso, possa ter sido quase desesperador.
                  Hora do novo, hora do velho, hora de jogar coisas fora e de deixar entrar coisas novas. Hora de dizer mais sim e não tanto não. 

                  Que eu não tenha tempo ou jeito de escrever sobre o ano que se passou daqui 365 dias.

                                                                      C.
                  

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


              Nunca não vai me mesmorizar essa coisa incrível, assustadora e fascinante que é a capacidade da música te recolocar num exato momento da sua vida. Uma música, num determinado momento da sua vida, tocou todas as suas notas melódicas e, de alguma forma, correu por todo o seu corpo como se estivesse dentro dele, alcançando cada pedaço seu e, ao terminar, deixou um pedaço dela ali. Como se, de repente, aquela música ganhasse vida em você. E toda vez que é tocada, não importa quanto tempo passe, aquele pedaço que ficou em você acorda, e tudo o que você sentiu na primeira vez em que aquela harmonia encontrou seu corpo, acorda também. O gosto daquele momento, daquela memória, se faz fresco em você mais uma vez.

             Isso é o que sempre mais me encantou na música - o modo como ela possui a capacidade de entrar em você e fazer você se encontrar numa completa bolha, abandonando e largando tudo o que estava fazendo ou pensando, onde só vive você, aquela melodia e aquele sentimento. Como se, de repente, sua alma ganhasse forma. Como se, ao fechar os olhos, toda a harmonia se combinasse com os movimentos do seu corpo, a batida do seu coração, o decorrer do sangue nas suas veias e você se tornasse uma sinfonia de notas. 

             A música, na minha vida, sempre foi me perder nela, dentro dela, fora dela, ao longo dela, ao redor dela, nos restos dela e em todas as suas formas e possibilidades. 

             Me perder na música, sempre significou cravar um momento em mim. E, uma vez cravado, me perder na música, significou recordar.

             Hoje eu ouvi aquela música, moço, e lembrei de você.

sábado, 26 de outubro de 2013


A gente se quebra. 
E a vida acontece.
E a gente se quebra um pouco mais.
E se quebra um pouco mais quando pensa em como está quebrada.
E vai se quebrando no ciclo doloroso de tentar se consertar.
Se quebra até não existir mais pedaços grandes o suficiente pra serem colados.
Se quebra até não existir mais remendo.
Só cacos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

E a gente finge não se conhecer.
Fingimos que nunca passamos a madrugada conversando.
Fingimos que nunca falamos sobre planos e vontades.
Fingimos que nunca idolatramos um músico juntos e nunca fizemos melodia ao mesmo tempo.
Fingimos que nunca tivemos uma só memória com o outro.
Fingimos até não ter mais o que fingir; até não ter mais o que lembrar.

O tempo se faz de cura, mas ele também castiga.
Ele passa e faz você encontrar quem a tanto tempo fingia nunca ter conhecido. E te faz se questionar se foi tempo o suficiente para seguir conforme a vida te leva. E então, você tem que fingir com aquela pessoa ali, bem do seu lado.
E ela finge junto.
E juntas, vocês fingem uma última vez, a última memória que terão um do outro. Ou seria a única memória de dois estranhos?
A gente se olha e finge que não se conhece. Que nunca se conheceu.
Só dois estranhos passando pelo mesmo lugar, nesse mesmo tempo.
E a gente olha para baixo e segue andando, segue fingindo.
Porque, o que é o passar do tempo, se não te ensinar a fingir mais?

quinta-feira, 25 de abril de 2013


A verdade é que esquecer alguém não é impossível. O tempo vai afastando tudo aquilo que tornava aquela pessoa reconhecível para você.
Você esquece de como o final da boca dela subia um pouco mais no final, quando ria.
Você esquece a careta típica depois de uma piada.
Esquece como quando ia falar determinada palavra, tinha um jeito diferente de pronuncia-la.
Esquece como a sombrancelha se arqueava quando queria flertar com você ou quando queria tirar sarro.
Esquece o som da risada.
Aos poucos, vai esquecendo a voz.
O que fica é um sopro de memória. Aquilo que você tão insistentemente ainda tenta guardar, para não perder tudo o que ela foi, de uma vez. Mas o tempo se faz de vento. Vai levando os restos daquele sopro, cada vez que passa, até não ter mais nada dele. Até não ter mais nada do que um dia se fez parte sua.

E então, quando você finalmente vê uma foto, passa minutos observando um rosto que já lhe foi tão familiar. E tudo é infamiliar. Infamiliar a ponto de lhe deixar desconfortável; constrangida. Se perguntando quando deixou cada pedaço daquela pessoa se desfazer em você, até não haver mais forma de reencaixa-los.
Até se tornar tão irreconhecível.

A verdade é que esquecer alguém não é tão complicado.
A dor é desconhecer.
A dor maior vai sempre ser desconhecer.

terça-feira, 18 de setembro de 2012


É uma dessas estranhezas da vida – amar alguém que não nos ama. Gostar de alguém que não gosta da gente. Se apaixonar por alguém que é apaixonado por outro. Ou simplesmente não é apaixonado por você.
Acho que quando a gente deseja muito alguém, ama muito alguém, espera muito de alguém, fica difícil entender o porquê daquilo partir só de você.  Difícil entender porque ele ou ela, ama outra pessoa e porque, mesmo assim, você ainda quer tanto, preza tanto, gosta tanto, de alguém que não gosta de você.
Eu passei tanto tempo procurando entender os meus próprios porquês quanto ao amor, que esqueci o significado simples dele. Você gosta dele, como disse Chico Buarque uma vez, porque é ele. Só. Sem segundos significados, sem explicações lógicas ou o que for. Você ama aquela pessoa porque é ela, nos seus sorrisos e choros, no que você acha incrível ou odeia. E é só isso.
Você pode querer brigar com sua cabeça, brigar com aquele redemoinho que parece surgir na sua barriga quando ouve o nome daquele alguém, ir a procura de porquês quanto ao que você sente, mas qualquer tipo de amor é injustificável. E é isso que nós esquecemos.
Ele aparece porque é para aparecer, tendo um enredo entre ele ou não.
As formar de amor vão surgir independente do que nós queremos.
E na mais pura e comum razão que poderia ser – porque sim e só isso. Só isso.

terça-feira, 12 de junho de 2012

I would tell you.

I would tell you that I love your eyes.
I would tell you that I love your smile.
I would tell you that I do miss you. No matter how much you don't deserve it.
I would tell you that I liked you. A lot.
I would tell you that I probably still do. But, now, I see the feeling fading more and more.
I would tell you how the sixteen year old me, would probably freak out about me ignoring you.
I would tell you that, once, I wanted to meet you and talk to you and know every little detail about you.
I would tell you that you disappointed me.
I would tell you how you broke my heart and my confidence over and over again.
I would tell you that you make yourself be everything you always hated.
I would tell you that I hate how you forget when I remember everything.
I would tell you how hard it is to avoid you.
I would tell you how I have to make myself not go talk to you.
I would tell you how I really hope you won't hate me.
I would tell you how it pains me to know how forgettable I am to you.
I would tell you that what I am doing is the best for me, right now.
Yes, for me.
And I would look at you, one more time. One last time.
And I would tell you goodbye.

I would.
I really would.
I just can't.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Existem momentos.
Existe aquele momento em que seu pai lhe ensina a andar de bicicleta.
Existe o momento em que seu primeiro dente cai.
O momento em que você tem seu coração partido pela primeira vez.
E os momentos em que isso se repete.
Existe o momento em que, alguém que você ama vai embora por escolha e lhe faz sentir como se levassem junto, um pedaço seu que nunca mais terá de volta.
Existe o momento em que você se encontra cercado de pessoas e, mesmo assim, sente como se nunca estivesse estado mais sozinho antes.
O momento em que você opta pelo silêncio e em que, esse silêncio, parece ser mais alto do que o grito mais aguniante que já ouviu.
Existe o momento em que você se pergunta se, algum dia, vai ser a primeira escolha de alguém.
E há o momento em que você se dá por vencido e pensa que mais nada pode dar certo.
Mas também existe o momento em que você se dá por vencido e pensa que mais nada pode dar certo. E nesse momento, quando o poço parece não poder ser mais fundo, resolve fazer a escolha de como viver o próximo momento.
Seu corpo grita chega por você. E dar a cara a bater, torna-se mais fácil porque, dizer chega e seguir outro caminho, também torna-se mais fácil.
A verdade é que, por mais cheios de momentos que a vida seja, poucos momentos podem ser comparados com o momento em que, enfim, você encontra sua própria voz.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

2011,
Difícil. É como eu te definiria. Não por ter sido o mais difícil dos anos mas por ter sido...diferente.
O ano foi de mudança e eu vi muita coisa mudando, muita coisa acontecendo e muita coisa me surpreendendo. Me despedi de amigos com quem convivi por dez anos. Alguns para encontrar somente nos fins de semana, outros para quando a rotina deixasse e outros, só por coincidências. O tão esperado fim dos anos fundamentais e colegiais, enfim, aconteceu e, honestamente, até que não foi tão estranho quanto imaginei que fosse ser. Deixou aquela saudade de algo que foi bom, muito bom e vai agora só ser lembrança.
Aconteceram coisas que não esperava de forma alguma que fossem acontecer mas que, boas ou ruins, me fizeram, em certos momentos, ver outros pontos de vistas, em outros, me fizeram morder a língua, em outros me fizeram mudar e, de certa forma, jogaram na minha cara que nós sempre podemos dar um passo para frente e que, um acontecimento que te machucou, não significa um fim e, mais que isso, seguir ou não em frente, é uma escolha sua. Vez ou outra, você não precisa seguir em frente pelos outros, mas puramente por você. 
Aliás, conheci pessoas incríveis este ano. Isso você fez bem. Pessoas que, de verdade, espero continuar conhecendo, não importa onde cada uma esteja cursando uma faculdade ou fazendo mais um ano de cursinho. Em um lugar em que estavamos vivendo vestibular 24 horas por dia e respirando fórmulas e tendo que estudar assuntos para nós, detestáveis sob os olhos de uma coordenadora completamente sem noção que não dizia regras mas as ditava, eles fizeram aquele lugar "aguentável". E, em um ponto, se tornaram muito mais que colegas.
O tal cara que achei que fosse diferente? Dos olhos azuis? Você me mostrou que ele é tudo menos diferente. Que ele sabe falar, mas não sabe agir. Sabe tentar te fazer se sentir diferente, mas que é assim com todas as outras e que em um momento, o diferente passa a ser igual e só ouvir, nunca sentindo o interesse de que você também fale, cansa. 2011 serviu para me mostrar que eu posso mais e que, hoje, sei com que tipo de pessoa quero me relacionar, que tipo de pessoa quero conhecer.
Houveram momentos esse ano em que me encontrei desanimada, vivendo só para o cursinho e pensando no que seria se não desse certo. Você, ao longo do tempo, me fez ver que um cursinho é capaz de te tirar de si mesmo e, por um tempo, fiquei com medo de, por viver tanto por aquele lugar, não fosse conseguir voltar a ser quem eu antes era. Por um tempo, achei que tinha perdido quem eu era. E em um dia, após uma prova de carro frustrada, cheguei em casa e chorei como nem sabia ser capaz numa mistura de cansaço, acontecimentos recentes ruins, insegurança, incertezas e medo.
Mas também houveram os momentos que fizeram este ano valer a pena. Como aquela viagem que eu sonhava com, desde meus cinco anos, aquela ida a balada com as cariocas, aquela ida ao Rio por uma dessas cariocas, meu aniversário de dezoito anos. Os fins de semana com a família e os fins de semana com os amigos. Eles me fizeram querer continuar, mesmo quando parecia que tinha uma casa, praticamente, tampando minha respiração e me deixando sempre mais perto do momento em que fosse desabar.
Acho que posso dizer que, cada momento que vivi em você, foi intenso, tanto os bons quanto os ruins. Você conseguiu se balancear, e foi bem ousado nesse equilíbrio.
Não me arrependo de nada do que vivi este ano mas, mais que nunca, estou pronta para um novo, completo de mudanças. 
Um recomeço.
De qualquer forma, 2011, obrigada. Você me fez perceber todos os meus desejos, me fez querer ir atrás dos meus sonhos e do que queria como nunca. Me fez ver que, após um tempo, você passaria e o que ficaria, seria muito maior que todas as lágrimas que você fez cair naquela manhã de quinta-feira. Por mais clichê que soe, você me fez crescer, muito. Nos meus ideais, nas minhas razões, na minha própria vida, nas questões quanto ao meu futuro e me fez ver que, não importa o que aconteça, nós continuamos. Nem que para isso precisemos fechar os olhos por um momento ou derramar algumas, ou muitas, lágrimas. O que quer que seja, passa.

Que venha 2012. 
Finalmente.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

I don't even know how to begin or where to go with this.
You just...you have driven me mad for some time now. Your way of talking and your way of looking. Your way of making someone feel different.
Yesterday, was my last day at music school. And, for some reason, my teacher decided to tell me all about your aventuries.
Honestly? I don't what was worse - When she started talking about your one night stands, or when she talked about the girl you fell in love with and how she broke your heart.
I remember smiling and laughing about the stories, but damn it, I felt something ache inside of me.
She told me about the one night stand you had on the day of a musical presentation and I felt so stupid for going to compliment you that night.
She told me about how you fell in love with a 15 year old and how you would tell her, over and over, how in love you were with that girl. She kept talking, and I kept feeling more and more stupid. When she told me you weren't going out with anyone else because you were too into that girl, what I wanted to do, was tell her how you kept asking me out at that time. When she told me that you say so yourself that, when you go out with a girl, besides this one you fell for this year, it is just for fun, I felt even more stupid, more...nothing to you.
We were supposed to be friends, first. I am not that girl, the one that goes out with someone just for the fun, to mess around. And you know that.
You know. But that didn't stop you from trying, did it?
My sister says she really doesn't think you were asking me out just for the fun, since you know me, but, truth to be told? I don't care.
I may not have been in love with you, but yes, yes I liked you. I was "in like" with you. But you screwed that up, all by yourself for me. You didn't even need me for some help.
So, I am done. I am just done.
I am starting over.
I went in your class and I said my goodbye, since it was my last class, and I needed to put an end at it, myself.
You know the way people look at you when they believe it's for the last time?
That was one, right there.
That was my last look.
And honestly? '
It was about time.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Se você é do tipo que se acha polítizado, sugiro que pare de ler agora, esse post não vai ter neutralidade alguma.

No último mês, eu venho ficando cada vez mais impressionada com tudo o que envolve política. Na verdade, não ao que envolve política, mas com o que os jovens vêm comparando à política.
Sim, existem governos corruptos. Seja ele petista ou psdb ou pmdb ou pv. Como qualquer pessoa, não acho correto. Como qualquer pessoa, desejo um governo limpo e o qual você possa, de fato, confiar na pessoa que está escolhendo para representar seu país, ou seu Estado, ou sua cidade.
A questão é que, existe um limite. E a questão é que, os jovens hoje, honestamente, perderam completamente a linha desse limite.
Não, não é certo comparar o comentário de um comediante com política. Ser comediante não te dá o direito de ser desrespeitoso com alguém, não te dá o direito de dizer o que bem entende. Querendo ou não, pensar antes de falar, serve para todos. Todos. Os comediantes não estão fora desse círculo. Um político corrupto que não foi preso, não dá o direito de uma pessoa destratar outra. É simples assim. É questão de respeito. É questão de educação. É questão de falar e falar sobre como os políticos agem mas, quando se tem a chance, agir da mesma forma. É hipocrisia. E, honestamente, eu ja estou cansada dessa hipocrisia, de gente que, quando tem a chance, não age com honestidade e depois vêm perguntar da onde surgem os políticos corruptos (entendam, eu não estou incluindo todas as pessoas, eu sei que existem os honestos e que tem todo o direito de reclamar, mas esse número diminui a cada dia).
Me disseram uma vez que os políticos devem dar o exemplo e eu concordo. O grande ponto aqui é, os políticos não são os únicos que devem dar o exemplo. Honestidade não é só dever de político. É dever de qualquer ser humano que respira. Meu pai diz que o grande ensinamento que meu avô deu a ele foi esse - ser honesto até embaixo da chuva. E eu vi meu pai, minha mãe, minha família, sofrerem pela escolha de serem honestos, inúmeras vezes. Mesmo que o trajeto para chegarem onde desejavam fosse mais longo, eles sempre foram pelo caminho mais longo. Nunca importou o resultado da escolha deles, eles sempre diziam que a recompensa viria e que, se não viesse, eles eram exatamente o que diziam ser - eles tinham palavra. E, isso, para mim, é dar o exemplo.
Nesses últimos dias, foi divulgada a doença de Lula e, eu confesso, fiquei impressionada com, até que ponto, um ser humano pode chegar por não gostar de outro. O sistema de saúde não foi só dever do tão detestável pela classe média ex-presidente, Lula. Ele também depende do já reeleito diversas vezes, Alckimin, Serra, e cada governante de cada Estado. Mas, de fato, não foi isso o que mais me incomodou, e sim a conotação usada nessas redes sociais, com o intuito de dizer - Então, agora morre pela SUS. E, não digam que não foi essa, acho que temos idade suficiente para interpretar e saber que foi.
Uau.
Em que ponto nós chegamos? Desejar a morte de um ser humano, simplesmente por não termos gostado do mandato dele? Seja qual for a razão de cada um para não gostar dele, ou de seu mandato ou o que quer que seja, pouco me importa. É desrespeitoso. É uma enorme falta de consideração e desumano. É o tipo de comentário que, se fizessem sobre alguém de nossa família, nós não ficariamos quietos. Nós não achariamos aceitável. Falar sobre a doença de alguém com descaso, que tipo de comportamento é esse? Dos jovens que querem ser ouvidos? Decepcionante.
É assim que nossa geração vai ser lembrada? Mesmo? Como aquela a desejar a morte de um ser humano, ou a comparar política com comediantes, ou aquela a se manifestar pelo facebook, sentadinho na frente do computador?
Vai mal assim...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Never takes too long.

Stay where you are. Just stay.
Don't move a foot. Don't let a second take any kind of moment from you. Stay still.
Hold yourself.
Hi.
Don't. Don't let anything from this get to your mind.
You have to stop not coming.
No, I don't. I don't.
How can this talk be with the same person who does those things?
No.
Remember. Remember.
Remember what?
I will only go if you go.
Remember the nice things he said? The things that made you actually feel something that you hadn't for so long?
No.
Remember. Remember.
You have the most beautiful voice I have ever heard.
No. Don't remember.
No, remember. Remember.
You don't make any sense.
Am I supposed to remember or forget?
Remember, remember.
That no matter what he does or how he always come back, no matter what he says or how he looks at you, nothing else matters, nothing, so just remember.
Remember.
Remember he is in love with someone else.

"But you're neither friend nor foe though I can't seem to let you go.
The one thing that I still know is that you're keeping me down
You're on to me, on to me, and all over...
Something always brings me back to you.
It never takes too long".